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domingo, agosto 08, 2010

A Cigarra e A Formiga - Um Ensaio



Todos conhecem a fábula de Esopo, que narra a história de uma formiga trabalhadora e de uma cigarra preguiçosa. Sabem também que a formiga representa uma coisa, e a cigarra outra completamente diversa, e que a tal fábula tem uma função educativa, uma lição contida em sua moral final.
Sei que sob a perspectiva de Esopo, a formiga é a personagem que mais no ensina o bem. Mas devo confessar que não consigo esconder a minha simpatia pela cigarra. Apesar de toda a sua inércia, inclino a ela a minha preferência e não à formiguinha rabugenta e intolerante.
Mas neste meu ensaio não defenderei a cigarra. Pois aqui ela despe a roupagem de inseto cantor e boêmio para encarnar outro tipo de personagem.
De antemão, devo avisar que não alimento visões maniqueístas sobre a natureza. Não consigo perceber nela elementos ou eventos que possam ser considerados propriamente bons ou maus. Tomo de empréstimos algumas palavras de Gibran Khalil para justificar esta minha afirmação: “Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro, não diz: “Ele é desprezível e eu sou um grande senhor.” Com esta citação, tento demonstrar que a minha intenção é apenas alegorizar e não fazer uso das particularidades de criaturas distintas para promover polêmicas.
A cigarra deste ensaio representa toda a gente que não trabalha em prol do afeto. Um tipo de pessoa que passa a vida inteira “cantando,” se lamentando por um amor ou sentimento que não recebeu, porque não soube se dar. É comum encontrar gente assim, incapaz de lutar em prol do amor, de alimentar os outros e a si mesmo. Passam, no entanto, boa parte do tempo, desperdiçando a existência em uma cantilena inútil, esperando que os bens caiam do céu, sem moverem uma única palha para que a vida lhes tragam êxito.
A pessoa-cigarra é aquela que nada de afetivo produz, mas espera tudo dos outros. Sua cantoria, não é o canto entusiasta da primavera, é uma queixa de inverno, porque nas melhores estações, em vez de semear o trigo, ela desperdiçou o grão do amor em trabalhos levianos.  É da pessoa-formiga que ela tentará usurpar o alimento, com uma ladainha repleta de lamentos e amarguras.
Deveria aprender com as formigas. Observá-las em seu incansável trabalho de carregar lenta e ininterruptamente o alimento do amor.  O cuidado com que elas trabalham em prol do afeto, acumulando benefícios. As pessoas-formigas constroem pouco a pouco as suas relações, como as formigas na natureza constroem os seus formigueiros. As pessoas-formigas alimentam o afeto nos outros e assim o recebem de volta, pois a sua jornada em proveito do amor nunca termina.
Mas parece que cabe às pessoas-cigarras muito pouco aprender. Do alto das árvores, elas apenas gastam o seu tempo com cantigas menores, incapazes de modificar o seu modo de pensar, de agir e, sobretudo, de amar. Por fim, acabam envelhecendo os seus corações, se perdendo em lamúrias sem sentido, e como os insetos que lhes dão nome, acabam infelizmente com as almas ressequidas e ocas.  

A nostra gente!



 Agli amici del corso di italiano dell' Uerj. Noi sapiamo cosa significa queste parole! rs!

quarta-feira, agosto 04, 2010

Bomba-Relógio



     Mulheres são uma caixinha de surpresa. Você pode fazê-las se abrir e, de repente, de dentro, pula uma flor de papel crepom ou uma cobrinha bem ao estilo Topa Tudo por Dinheiro. Sei que está frase é um clichê, que já foi dita por 99% dos homens do planeta, mas vou repeti-la: “Não consigo entender as mulheres”.

     Nem quero. Pra quê preciso entendê-las. Acho que nem elas mesmas querem ser entendidas.  Também já não sei o que elas querem. Só ando cansado de ficar no meio do tiroteio. De ser sempre alvejado bem no peito.

     Será que os outros homens precisam contornar os mesmos obstáculos que eu? Tomar um cuidado danado pra não pisar numa mina subterrânea e ir pelos ares, ou ser bombardeado dentro de uma trincheira? Meninas, eu não sou machista... Dessa água, eu bebi bem pouquinho, juro. Mas ultimamente anda ficando chato esses ataques e essas perseguições.

     Sei o quão sensíveis vocês ficam durante a TPM (bem, não sei não, só saberia mesmo se fosse mulher e tivesse a ‘bendita’). Sei que quando estão ‘naqueles dias’ vocês são ainda mais imprevisíveis e intensas (talvez seja por esta razão que a maioria das catástrofes naturais receba o nome de mulher, rs), mas por que logo eu no olho do furacão?

     Tá legal, sou desastrado e às vezes falo o que não devia ou tenho atitudes que não são lá muito sensíveis. Mas, podem crê, não faço por mal. Na maioria das vezes, tô tentando agradar, arrancar um sorriso, demonstrar minha preocupação e atenção.

     Sinceramente, não sei se é isso o que vocês querem. Acho que devia ser bruto, mas de outra maneira. Quem sabe voltar ao tempo das cavernas, acertá-las em cheio na testa com um tacape de madeira e arrastá-las pelo cabelo até a minha espelunca. Se tento ser sensível e compreensivo, sou frouxo demais. Se bobear até chamado de gay. Se mostro indiferença ou sou indelicado, sou um ogro desalmado.

     Talvez o caminho seja o meio-termo. Mas esse meio-termo, eu também já tentei. Acho que o problema não é comigo! Acho que o problema está em mim. Ter nascido homem e ponto.

Tá certo, eu juro... da próxima vez, bato, antes de entrar.
Toc!  Toc!

segunda-feira, agosto 02, 2010

Rapidinhas



Definitivamente, não nasci para ter bigode e nem barba. Duas semanas sem raspá-los, e hoje de manhã, quando olhei no espelho, me deparei com um completo estranho.  O primeiro pensamento foi o de gritar: “Socorro, tem um homem-bomba no banheiro!”. O segundo, o de meter o pé. O terceiro, pegar o barbeador e, tendo ao fundo a música tema de Psicose, assassinar todo aquele hospedeiro alienígena que vinha possuindo o meu rosto. Foi o que fiz. Em parte. Tirei o bigode, aqueles fiapos que não se entendiam quanto à direção. Uns para a esquerda, outros para direitas. Conservei a barba ou o cavanhaque, sei lá como se chama isso! Malditos genes indígenas dominantes. 
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Adoro dar aulas para adolescentes que pensam. Não sei quem foi o idiota que disse que adolescente é tudo farinha do mesmo saco. Farinha, serve pra muita coisa! Hoje quase fiz um bolo. É só dá corda, insinuar as questões, e eles serão, (pasmem!) capazes de refletir, de formularem pensamentos e saírem com respostas e outras perguntas surpreendentes.
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Por que as pessoas são tão apegadas ao orgulho? Por acaso acham que orgulho é a mesma coisa que autoestima? A gente se cala quando na verdade quer falar. A gente finge indiferença, quando na realidade que se mostrar preocupado. A gente faz tanta coisa idiota por nome do orgulho. Depois, fica sozinho, triste, deprimido. E aí o orgulho não serve pra merda nenhuma. 
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