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quarta-feira, agosto 04, 2010

Bomba-Relógio



     Mulheres são uma caixinha de surpresa. Você pode fazê-las se abrir e, de repente, de dentro, pula uma flor de papel crepom ou uma cobrinha bem ao estilo Topa Tudo por Dinheiro. Sei que está frase é um clichê, que já foi dita por 99% dos homens do planeta, mas vou repeti-la: “Não consigo entender as mulheres”.

     Nem quero. Pra quê preciso entendê-las. Acho que nem elas mesmas querem ser entendidas.  Também já não sei o que elas querem. Só ando cansado de ficar no meio do tiroteio. De ser sempre alvejado bem no peito.

     Será que os outros homens precisam contornar os mesmos obstáculos que eu? Tomar um cuidado danado pra não pisar numa mina subterrânea e ir pelos ares, ou ser bombardeado dentro de uma trincheira? Meninas, eu não sou machista... Dessa água, eu bebi bem pouquinho, juro. Mas ultimamente anda ficando chato esses ataques e essas perseguições.

     Sei o quão sensíveis vocês ficam durante a TPM (bem, não sei não, só saberia mesmo se fosse mulher e tivesse a ‘bendita’). Sei que quando estão ‘naqueles dias’ vocês são ainda mais imprevisíveis e intensas (talvez seja por esta razão que a maioria das catástrofes naturais receba o nome de mulher, rs), mas por que logo eu no olho do furacão?

     Tá legal, sou desastrado e às vezes falo o que não devia ou tenho atitudes que não são lá muito sensíveis. Mas, podem crê, não faço por mal. Na maioria das vezes, tô tentando agradar, arrancar um sorriso, demonstrar minha preocupação e atenção.

     Sinceramente, não sei se é isso o que vocês querem. Acho que devia ser bruto, mas de outra maneira. Quem sabe voltar ao tempo das cavernas, acertá-las em cheio na testa com um tacape de madeira e arrastá-las pelo cabelo até a minha espelunca. Se tento ser sensível e compreensivo, sou frouxo demais. Se bobear até chamado de gay. Se mostro indiferença ou sou indelicado, sou um ogro desalmado.

     Talvez o caminho seja o meio-termo. Mas esse meio-termo, eu também já tentei. Acho que o problema não é comigo! Acho que o problema está em mim. Ter nascido homem e ponto.

Tá certo, eu juro... da próxima vez, bato, antes de entrar.
Toc!  Toc!

domingo, julho 25, 2010

You've Got a Friend



Pode parecer piada, mas cheguei ao 212º* amigo no Orkut. É claro que 65% deles são parentes e os outros 35% divididos entre amigos, conhecidos e colegas de trabalho. Tirando os poucos amigos do peito e algumas pessoas que fazem parte do meu círculo anti-social, o resto é formado por pessoas com quem eu não mantenho o menor contato e que, de contrapartida, nunca me mandaram sequer um olá.
E se a nossa relação é de total invisibilidade, por que será que aceitei ou adicionei essas pessoas à minha lista de amigos? Eu não faço à mínima! Mas dando uma olhada curiosa no Orkut encontrei alguns figuras e me lembrei de outros que eu nunca, sob hipótese alguma (nem bêbado ou drogado) aceitaria.

Para começar, tenho que dividi-los em dois grupos:

Grupo A – Os desajustados sociopatas, não aceitos pela sociedade que aparecem atraídos pelas besteiras grandiloquentes que eu geralmente coloco no meu perfil. São na maioria comunistas frequentadores do MacDonalds, viciados em xaropes Vic, góticos adeptos da alimentação macrobiótica e seguidores do Demo.

Grupo B - formado, digamos, por moçoilos carentes, que seduzidos pela minha figura máscula e irresistível acreditam ter alguma chance comigo.

O fato é que eu atraio gente esquisita. Se isso acontece na vida real por que não haveria  de acontecer no Orkut?

Ontem estava pensando em algo para postar aqui no blog, quando tive um lampejo inspirador. Qual foi o meu espanto ao entrar no Orkut e dar de cara com uma daquelas atualizações comprometedoras de um dos meus amigos?  Uma garota, que adicionei há mais ou menos uns quatro anos por um motivo que não me lembro, exibindo-se toda meninona em uma sessão picante de pole dancing.( Me corrijam se estiver errado!) 
Tive uma crise de riso. Acho que intenção dela foi parecer sensual, mas na minha concepção um tanto subversiva de vida, acabei achando as imagens, no mínimo,  constrangedoras.  Não pude deixar de imaginá-la fazendo uma performance em volta do pau, ops, da barra, entre túmulos e lápides.
Outra figurinha carimbada é um rapaz que me pediu para adicioná-lo há uns dois anos atrás. A princípio, nada de estranho. Um pintor talentoso adepto da psicodelia. Achei as suas obras interessantes, mas com o tempo descobri que se prestavam a fazer apologia a certas substâncias de caráter ilícito.

É claro que, tirando esses detalhes, não há nada de errado com essas pessoas. Nadinha.  Eu mesmo tenho lá as minhas bizarrices, mas no fundo sou tão normal que, não consigo entender por que atraio esse tipo pitoresco de gente.  
Além desses, há outros que eu nunca aceitei, mas que já tentaram, ah se tentaram, fazer parte do meu grupo de amigos.  O gay tetraplégico, a anã que queria ler a minha sorte, e uma senhora maluca que dizia ser um alienígena em missão especial na terra.

Pode parecer engraçado, e realmente é. Eu que sempre fui uma pessoa um tanto seletiva, acabei descobrindo que, no Orkut, eu sou um cara muito legal, e que todo mundo quer ser meu amigo. E você quer ser também?



* Sinto, mas não sei escrever esse número por extenso.